Ela tem nas mãos um cigarro que não gostava de fumar
Ouve músicas repetidas de ontem, cansada de tanto sol, de
tanta luz, de tantos prédios
Quer morder o céu, o deus, os homens
Alheia a rua que estremece seus olhos vazios
Sente saudade de um mar azul (ou verde) daquela praia que
nunca mais voltou, porque ela nunca mais foi a mesma
A moça não está diferente. Apenas cresceu, aprendeu, e agora
é o que sempre foi. Executou seu tédio com desprezo.
Beijou, amou, transou. Até ficar sem cor. Até ficar sem
gosto.
O amor não estremece mais suas mãos adolescentes. O que
estremece agora são suas pernas e seus pés, que se desdobram e entrelaçam a
outro par de pernas e de pés.