quinta-feira, 1 de novembro de 2012

SÃO PAULO

Verdade, por uma verdade. Gustavo não entende mais nada da vida. Agora só pensa em descobrir alguma verdade. Tenta inutilmente compreender teorias de Física, mas não tem paciência para partículas suspensas no espaço.

Leandra se perdeu no tempo. Só sabe os dias da semana por causa da embalagem de sua pílula anticoncepcional. Todos os dias, onze e meia, descobre em qual dia da semana está. Por alguma razão mística não esquece de tomar a pílula, talvez porque ela ritualizou o tempo, ritualizou seu anti-amor.

Juanito ganha a vida vendendo aquários sob medida. É o novo fetiche dos Jardins. Quanto maior o aquário, mais exóticos os peixes. Juanito queria ser jogador de futebol. 

José Carlos joga Poker online, e se arrepende. Zé Carlos se sente culpado por coisas tão pequenas e não vê que desperdiça a vida. Deveria convidar Mateus, seu colega de trabalho, para ir ao cinema. Mas prefere o submundo da internet de madrugada.

Antônia se mudou para Salvador. Achou a cidade uma merda e volta pra São Paulo no fim do mês. Vai reatar com seu ex namorado, Ricardo. Tenta se convencer que é  só pra não perder a bela vista que ela tinha ao lado da Estação da Luz. Antônia ama Ricardo, pena que ele não gosta de lavar a louça. 

Guilherme é um quarentão que broxa desde os vinte. Tem uma arrogância de desesperado e não se encaixa em normas sociais. Mas vai toda quarta e todo domingo se embriagar na Avenida Angélica para se sentir jovem. Como se houvesse salvação na juventude. No fundo se sente um fracassado e disfarça sua frustração com machismo e futebol.



André quer ser artista. Mas não tem talento. Talvez tenha, mas a preguiça o domina. Gosta de plagiar as ideias de sua ex namorada, Júlia. Uma menina sem sal, mas com uma arte colorida e cheia de amor. André namora Marcela só pelo dinheiro e por todos os contatos profissionais que ela tem a oferecer. André usa LSD e fuma maconha pra se sentir subversivo. Mas não passa de mais um pseudo-artista da Vila Madalena. Júlia ainda está apaixonada por ele. Mas os dois escolhem a arte. 

Um comentário:

4NAIPES - SP disse...

Olá N.M !

Devo confessar que gostei e muito dessa crônica. É muito sincera do tipo que só quem vive em São Paulo mesmo conseguiria se identificar e se contextualizar dentro dos diferentes ambientes que criou nessa breve narrativa.

Sem mais delongas, vou lhe fazer um convite. Meu nome é Luiz F. Garcia, idealizador do projeto social/artístico 4NAIPES -SP. Que visa a representação de textos como o seu fazendo uso de outros recursos de comunicação visual(Ilustração, fotografia, arte digital, videos etc).

Nosso objetivo é justamente o de aproximar as pessoas que vivem em São Paulo dessa imagem que apresenta em seu texto,explorando outras plataformas comunicativas mas claro priorizando toda a poética.

Ficaremos felizes se estiver interessada em colaborar com o nosso propósito e meus parabéns pela escrita

Para mais informações:

http://prezi.com/kh5_auvzka5x/campanha-4naipes-sp/